Andreia Pellisson

Consumidores estão sendo mais seletivos com suas prioridades

A economia vem passando por mudanças significativas nos últimos anos, sendo muitas dessas novas necessidades um reflexo da pandemia do Coronavírus. A combinação dos aumentos dos preços de produtos, moradias e experiências sociais resultaram em problemas financeiros para muitas pessoas ao redor do mundo. Os novos consumidores têm tido que se adaptar a essa nova realidade e mudar seus hábitos.

Alguns exemplos dessa nova realidade são a preferência por brechó, a compra através de produtores locais e a preocupação com o meio ambiente. Hoje, o que tem se visto, é que a maioria prefere comprar um produto que dure mais, e de preferência, que esteja de acordo com o meio ambiente, ainda que esse seja mais caro. Por isso, o consumo em excesso tem sido cada vez menos visto.

Covid-19

A pandemia também deixou marcas nos novos consumidores. Em uma pesquisa realizada pela Comissão da União Européia mostrou que enquanto 38% dos entrevistados estavam preocupados se conseguiriam ou não pagar suas contas, outros 42% deixaram para depois compras de produtos que não são de necessidade básica. A pesquisa também mostrou que 56% das pessoas entrevistadas estão preocupadas com o meio ambiente e seu impacto individual.
 
O que pode ser analisado após a pandemia, é que consumidores reavaliaram seus hábitos de consumo. Para muitos viajar, comprar novas roupas, ter o carro do ano… eram ações que não precisavam de muito pensamento para serem realizadas. Contudo, com a economia desacelerada e altos números de desemprego, atividades e compras passaram a ser repensadas.

Os novos consumidores

Em uma pesquisa realizada pela NielsenIQ observou uma diminuição nos gastos com planos de academia, entretenimento fora de casa, jantares em restaurantes e viagens. O foco das pessoas agora tem sido em priorizar o essencial para o dia-a-dia, como supermercado e contas mensais. O aumento da inflação em todo o mundo é o responsável pela nova forma de consumir.
 
A última diminuição no consumo de produtos não essenciais que começou com a pandemia, pode ser vista até hoje. A incerteza econômica faz com que muitos consumidores se ajustem em diversos aspectos de suas vidas, desde entretenimento até manter uma vida saudável. Um desses novos hábitos é a escolha por atividades caseiras. O que começou por conta da pandemia e do lockdown, acabou sendo adotado integralmente por muitas pessoas. Cozinhar em casa, assistir filmes no sofá, diminuição de saídas para restaurantes e até mesmo de viagens, são alguns dos exemplos desses novos consumidores.

Consumo seletivo

Quando se trata de ser mais consciente com os gastos e o que priorizam, os novos consumidores têm se comportado diferentemente do que vinha sendo visto até 2019. O objetivo deles é combater a inflação por meio de uma mentalidade mais seletiva. Para isso, as pessoas têm preferido comprar em outlets, brechós e lojas que caibam dentro de seus orçamentos. Por isso, o que vinha sendo apontado como lealdade entre marca e cliente, fica cada vez menos importante.
 
O consumo seletivo tem sido muito popular entre aqueles que foram de alguma forma impactados financeiramente pela pandemia, mas também os que não sofreram tanto assim. Consumidores de diferentes lugares e poderes aquisitivos são vistos priorizando promoções e descontos ao realizar compras.

Preocupação mental e física

A pandemia trouxe também uma maior abertura quando se trata de saúde mental e a importância que ela merece. O coronavírus alterou o estado emocional do mundo, e isso moldou a forma como as pessoas começaram a escutar seus corpos e mentes. O perfil dos novos consumidores têm o autoconhecimento e cuidado com a mente como um de seus pilares.
 
Os novos consumidores têm consciência das suas habilidades e competências assim como de suas fragilidades e seus limites. Essa nova perspectiva afeta diretamente os hábitos dessas pessoas, uma vez que a procura por atividades que beneficiem a mente são cada vez maiores. Aplicativos, meditação, contato com a natureza são alguns dos elementos que as pessoas têm optado.
 
E a preocupação por uma vida mais feliz e saudável afeta também as empresas, que veem a importância de colocar seus colaboradores em primeiro lugar, dando visibilidade aos possíveis problemas de burnout e ajudas necessárias para lidar com estresse e ansiedade dentro dos escritórios.

Meio Ambiente

Como vimos neste artigo postado recentemente no meu blog, um dos principais aspectos dos novos consumidores é a preocupação com o meio ambiente. Muitos dos hábitos de consumo de hoje estão sendo moldados levando a sustentabilidade como fator primordial. Hoje, os consumidores demandam uma posição das marcas diante dessas questões.
 
Ainda que, muitos dos hábitos adotados recentemente pelos novos consumidores sejam com o intuito de reduzir gastos, quando se trata da preocupação com o meio ambiente, as pessoas estão dispostas a pagar mais pelo produto certo. Isso mostra que a conscientização ambiental vem aumentando, já que mesmo em um momento de crise econômica, produtos com o selo verde continuam sendo os mais procurados.

Conclusão

Quando se trata dos novos consumidores podemos concluir que eles são muito mais conscientes e seletivos. Não gastam mais pelo impulso, cada ação é pensada e analisada. Por mais que muitas marcas acreditem que a lealdade entre elas e os clientes seja importante, o que vemos cada vez mais é uma escolha por questões financeiras e não mais um apego por uma companhia em específico. Economizar é o principal ponto que podemos ver nesses novos hábitos, tendo a questão ambiental como o único fator que pode fazer com que essa questão seja deixada de lado.
 
Entender os novos consumidores e o que eles esperam é de fundamental importância para que marcas consigam acompanhar esses novos hábitos. E estar consciente dessas mudanças no cenário global que ainda é incerto economicamente, pode ser um divisor de água para companhias conseguirem ser bem sucedidas.