Andreia Pellisson

Geração Z e a reinvenção das mídias

A obsessão pelo consumo vem perdendo forças. Uma geração que quer salvar o mundo vem ganhando espaço. A geração Z vem chegando com tudo e mudando paradigmas que já haviam se estabelecido há décadas. Tendo seus antecessores como exemplos do que não fazer, os jovens nascidos entre 1997e 2012 representam quase 26% da população mundial e já fazem muito barulho. 

Panorama

Já nascidos num mundo totalmente conectado, eles não sabem o que é não ter internet. Acostumados a interagir com diversas telas ao mesmo tempo, esses jovens cresceram com a influência digital e isso fez com que se tornassem mais criativos que qualquer outra geração anterior. A relação tão próxima com a tecnologia resulta diretamente na maneira como eles consomem e se relacionam com marcas.

A geração Z não aceita mais ser o comprador passivo, eles querem fazer parte da produção, e tem muito a opinar sobre o que querem e o que não aceitam de jeito nenhum. Segundo uma pesquisa feita pela Cassandra Report, 63% dos influenciadores mundiais são dessa geração. O Youtube foi escolhido como principal canal para produção de conteúdo desses jovens. Eles tão reinventando o marketing digital. Os consumidores dessa geração têm um comportamento diferente das passadas. Os criadores de conteúdo entendem as necessidades dos consumidores e conseguem dialogar de uma maneira melhor com seus seguidores. 

Características de Compra

A plataforma de compras online também é um segmento que ganha cada vez mais espaço na economia. Além de confiarem extremamente nos influenciadores e criadores de conteúdo, a geração Z está muito mais predisposta a comprar pelas mídias sociais. Com isso as marcas precisaram se adaptar a essa nova realidade e criar uma identidade forte nessas redes, para que assim pudessem alcançar esse nicho que vem chegando forte.

As redes sociais têm papel fundamental na interação das marcas com seus consumidores. Elas são o canal de comunicação entre os dois, e onde as trocas realmente acontecem. Instagram, Facebook, Twitter, Tik Tok e Youtube passam a ser o principal canal de divulgação, e também por onde as empresas podem ter um feedback em tempo real de como seus produtos e serviços tem sido recebido pelo público. 

Essa nova geração de consumidores prioriza a ética e transparência das marcas. Para que haja o ato da compra, os jovens precisam se sentir conectados aos valores da empresa. A geração Z exige um posicionamento de instituições diante de temas atuais, como meio ambiente, igualdade de gêneros e diversidade. Para eles o custo benefício não é mais o divisor de águas. O papel da publicidade mudou, hoje o objetivo é estabelecer um vínculo com esses jovens. E basta um deslize, ou um posicionamento errado, para que tudo que foi construído seja jogado fora.

Realidade das Marcas

Outro fator muito importante quando se trata de vender para a geração Z, é a capacidade de proporcionar uma experiência única. O que a globalização trouxe e tornou possível que todos tivessem acesso às mesmas coisas, hoje não vale mais de nada. Esses jovens querem ser reconhecidos como únicos. Muitas empresas já perceberam isso e vem construindo uma série de campanhas para atingir esse segmento.

A Starbucks por exemplo criou um menu de receitas personalizadas. Dessa maneira, seus consumidores podem montar seus drinks de acordo com seus gostos e preferências. 

A Nike lançou uma linha em que permite os clientes desenharem e personalizarem seus próprios tênis. 

O Spotify permite seus usuários criarem playlists com suas músicas preferidas e dividi-las com seus amigos. 

A EasyJet fez uma campanha para seus clientes, onde eles separavam imagens e o histórico de viagem e enviaram um email personalizado para cada um. Dependendo do perfil dos consumidores, eles recomendaram viagens específicas de acordo com as últimas compras.

Essas marcas perceberam que a geração Z valoriza não só apenas produtos e serviços personalizados, mas também querem participar na criação deles. 

Conclusão

A geração Z vem chegando com tudo e impondo seus desejos. A forma como os negócios são feitos está mudando. Marcas vêm se adaptando para conseguir atingir as expectativas desses jovens consumidores. Eles esperam que companhias entendam a singularidade de cada um deles e passam longe de qualquer tipo de rótulo ou estereótipos que limitem a manifestação de suas identidades. A interação é fundamental para atingir esse segmento, uma vez que que eles passam a maior parte do tempo conectados e interagindo na comunidade digital. Eles esperam conexões reais, e conseguem diferenciar discursos prontos de atitudes reais. A geração Z não quer mais sentar e esperar o produto ou serviço chegar. Eles querem fazer parte de todo processo. Querem criar, usar e divulgar.