Andreia Pellisson

microplásticos

A realidade dos Microplásticos

A era moderna trouxe com ela a produção em massa de plásticos. Desde os anos 50 os seres humanos têm gerado toneladas de resíduos todos os anos. Esse número fica ainda mais surpreendente quando se trata da forma com que ele é descartado. De toda quantidade produzida por nós, apenas 9% deste número é reciclado. O resto acaba indo parar em aterros sanitários, oceanos e até mesmo nos organismos dos seres humanos em forma de microplásticos.

Pesquisadores vêm detectando quantidades cada vez maiores de microplásticos em organismos humanos, como por exemplo no sangue, placenta e até mesmo em recém nascidos. O mais surpreendente é que esses microfragmentos têm chegado até nós não só pela poluição, mas também por conta de produtos de higiene, cosméticos e em alimentos.

Especialistas dizem que a prevalência de microplásticos no mundo já atingiu níveis perigosos. Isso pois, a presença desses resíduos estão presentes em diversos ecossistemas, como em corais, além de peixes que ingerimos e até mesmo água que consumimos. O uso de plástico tem sido tão fundamental na nossa sociedade, que alguns já afirmam que estamos vivendo a era do plástico. Assim como existiu a do fogo e ferro. Contudo, esse período não vai deixar um legado positivo como os outros tiveram.

Entenda melhor o que são os Microplásticos

Derivados de pequenos fragmentos de fibras (têxteis) e grânulos de plástico, essas partículas têm menos de cinco milímetros de comprimento. E eles podem ter origem primária ou secundária. Os de primária são aqueles originados na fabricação de produtos cosméticos e itens de higiene pessoal. Os de secundária são provenientes da degradação do plástico, seja pela ação da água, ondas, chuva e sol.

Alguns dos fragmentos encontrados em pulmões humanos são provenientes de embalagens plásticas e tampas de refrigerante, por exemplo. Em outras palavras: os microplásticos estão presentes em praticamente tudo. Desde o ar que respiramos, até o alimento que ingerimos. A maior parte deles está depositada no fundo do mar, mas uma grande quantidade já pode ser encontrada nas geleiras dos círculos polares.

Dados

Uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia de Santa Bárbara mostrou que a quantidade de plástico gerada pelo ser humano desde o começo de sua produção é equivalente a 80 milhões de toneladas, ou 1 bilhão de elefantes ou 25 mil Empire State Buildings. Essa quantidade seria capaz de cobrir a Argentina inteira.

A produção dessa matéria prima aumenta a cada ano. Em 1950 a produção chegava a 2 milhões de toneladas, em 2015 esse número já passava dos 400 milhões. Esse número desenfreado da fabricação se dá ao fato dele ter uma vida útil muito pequena.

Grande parte do plástico que vai parar no meio ambiente acaba nos mares e oceanos. Essas micropartículas acabam sendo ingeridas por plânctons, peixes e até mesmo baleias. Um relatório feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação mostrou que até 800 espécies de peixes, crustáceos e moluscos já apresentam presença de microplásticos.

No corpo humano

Os microfragmentos mais encontrados no corpo humano são os provenientes de garrafas de plástico e de embalagens de leite e sucos. Porém, especialistas também apontam para partículas vindas de comidas que podem ter sido contaminadas em diferentes etapas como o processamento de alimentos e embalagens.

A maior preocupação dos especialistas se dá ao fato de que ao entrar em contato com a corrente sanguínea humana, essas partículas podem causar riscos no sistema linfático. Podendo gerar danos às células e até mesmo interromper a produção de hormônios do corpo.

Ainda não se sabe ao certo os danos a longo prazo que a presença de microplásticos no corpo humano pode acarretar. Contudo, pesquisadores já apontam uma preocupação com o crescimento fetal e com a desregulação endócrina falada anteriormente.

Moda e responsabilidade social

Os tecidos sustentáveis podem ser parte importante no combate deste problema. Eles podem se tornar menos nocivos ao meio ambiente ao serem produzidos com fibras naturais. Muitos não sabem que alguns dos tecidos utilizados hoje em dia são feitos de petróleo e essas microfibras acabam sendo dificilmente decompostas. A moda consciente questiona a maneira em que as roupas são feitas, usadas e reutilizadas. É importante toda cadeia produtiva têxtil e de confecções buscar cada vez mais inserir mudanças significativas para ampliar sua responsabilidade socioambiental:

Tecido Sustentável

Utilização de tecidos com “selo verde”, também conhecidos como ecofriendly ou tecidos sustentáveis, por priorizarem matérias-primas naturais como algodão orgânico, cânhamo, linho, modal, seda de soja e seda de laranja gerando menos impacto para o meio ambiente.

Economia Circular

O desenvolvimento sustentável olha para a otimização da produção de recursos e fomenta a eficácia dos processos. Ou seja, diz respeito ao ciclo de vida de um produto, desde o seu design até o final de sua vida útil, passando por sua produção e o usuário.

Consumo Consciente

Todos nós como consumidores podemos contribuir fazendo escolhas inteligentes e mais sustentáveis. Dar preferência por qualidade e atemporalidade e não aos modismos passageiros do fast fashion, pelas buscas por preço baixo e por quantidade. Ao consumirmos de forma consciente evitamos o excesso de produção e desperdício rápido.

Soluções

Diversos países estão adotando políticas com o objetivo de diminuir a produção de plástico, e consequentemente desacelerar a contaminação humana. Alguns países levaram esses cuidados além. Como é o caso do Reino Unidos, Estados Unidos e Canadá que proibiram a fabricação de produtos de higiene pessoal que contenham essas micropartículas.

A Costa Rica também é outro país que está lutando contra essa contaminação em massa. Em 2017 eles anunciaram uma proibição de todos os plásticos de uso único. O Quênia acabou com o uso de sacos plásticos, seguindo uma tendência vista na Ruanda que tem adotado tal postura desde 2008. A União Europeia tem dado exemplo quando se trata dessa luta. Eles recentemente assinaram um acordo para proibir o uso de plásticos de uso único, como cotonetes, canudos, talheres e copos.

A saída para um futuro menos plastificado é justamente começar a ter uma consciência maior da quantidade de plástico no nosso dia-a-dia. Ainda há muito em avançar, já que é um material extremamente presente em nossas vidas. Como primeiro passo, a conscientização no consumo e fabricação já pode ter impactos significativos. A troca de copos descartáveis por de silicone reutilizáveis, assim como canudos de inox e escovas de dente de bambu são trocas fáceis de fazer que já fazem uma enorme diferença.

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